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By this Author: flaviaU

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O fim de uma aventura inesquecível

10 meses dando a volta ao mundo

sunny 45 °F

Nove de Fevereiro de 2010, o primeiro dia do resto da minha vida, o primeiro vôo da nossa jornada de volta ao mundo que duraria 10 meses, ansiosos e com os corações abertos para receber o que o mundo tinha a nos oferecer. Mal sabíamos que o nosso peito seria tão pequeno para comportar toda a beleza, doçura, honestidade, compaixão e solidariedade das pessoas, mal sabíamos que teríamos que conter as lágrimas e o sentimento de impotência ao ver toda a dor e as tragédias do mundo. Hoje 23 de Novembro de 2010, ao desembarcar do avião, depois de um longo dia de viagem de volta, digo que tudo valeu pena, que nada nessa vida havia me dado mais prazer em estar viva, que tudo que vivenciamos nos enriqueceu profundamente como pessoas e por fim que somos pessoas diferentes do que éramos antes de partir. 76.000 quilômetros viajados, 10 meses na Estrada, 25 países, 130 cidades, 110 camas dormidas, 11 meios de transporte utilizados, uma aventura inesquecível com o amor da minha vida...a gente deu a volta ao mundo!

February 9th, 2010 - The departure!

February 9th, 2010 - The departure!

As lembranças dessa viagem sempre irão ficar marcadas na minha memória, desde o primeiro pôr-do-sol em Fiji, as paisagens gloriosas da Nova Zelândia, as aventuras a bordo de “campi” na Austrália, os majestosos templos de Angkor contrastados com o calor escaldante e os olhos curiosos das crianças do Camboja, o sabor intoxicante da comida Vietnamita, a pureza e tranqüilidade do Laos, as ilhas e o curry da Tailândia. Também dos canyons do deserto da Jordânia, da alma, das cores e sabores de Jerusalém em Israel, a beleza inigualável das ilhas gregas, das paisagens dos Alpes Italianos regadas a taças de prosecco a beira de um canal em Veneza, do azul profundo das praias da Croácia, aos jardins de contos de fada na Áustria, a arquitetura Gótica da melancólica Republica Tcheca, ao estilo de vida alternativo de Berlim e a tradição da Bavária Alemã, do sorriso hospitaleiro e dos queijos Suíços, das bicicletas de Amsterdam, a diversidade de Londres e a prestatividade dos Escoceses na Inglaterra, do litoral Irlandês regado a Guiness, do romantismo de Paris adicionado à língua, os vinhos e a culinária francesa, Picasso, Gaudí, Miró, Dalí, tapas e a constante luta por independência dos Espanhóis, a riqueza cultural e arquitetônica de Portugal e para encerrar com um final feliz, a família, os amigos e o jeito brasileiro de ser.

Vanice.jpg

Essa aventura ainda parece surreal, nunca na minha vida achei que seria possível fazer parte de uma viagem dessas, que mais do que tudo foi de um aprendizado inigualável, pois nada nesse mundo vale mais do que o nosso conhecimento, algo que ninguém pode tirar da gente. Não só o conhecimento do mundo, dos povos e suas culturas, mas acima de tudo o conhecimento de si mesma como pessoa, dos nossos limites, medos e angustias. A Flavia de hoje quer viver cada dia como se fosse o ultimo, não quer mais ter medo do desconhecido, quer ser dona do seu destino. E tudo isso eu devo ao meu parceiro de aventuras, do meu lado em todas as horas, da diversão ao pânico, das descobertas as discussões, das risadas ao choro, do amor ao ódio, das duvidas as decisões, o melhor parceiro do mundo, o meu amor pra toda vida! Que essa viagem sirva de inspiração a todas as pessoas que leram o nosso blog e que viajaram com a gente pela tela dos seus computadores, que cada um de vocês saiba que viajar e necessário e que vai mudar a sua vida pra melhor. Na próxima vez que você pensar em trocar de carro ou redecorar a casa, lembre-se que existem milhares de lugares nesse mundo que você ainda não conheceu e que em cada um deles você ira vivenciar algo inusitado e aprender algo novo com a sua gente, essas lembranças serão para sempre.

Agora chegou à hora mais difícil, à volta pra casa, à volta a vida real, acordar todo dia na mesma cama, saber exatamente o cardápio do café da manhã, almoço e jantar, ver rostos familiares, andar pelas ruas sem precisar de um mapa ou de pedir informações em uma língua estrangeira, ter gavetas e armários para guardar as roupas, ter um telefone, uma televisão, um banheiro só meus...coisas que eu senti falta, mas que agora não tem muita importância, pois fazem parte de uma rotina, de uma vida que não parece ser mais minha. Agora que estou em um lugar seguro e aconchegante, vou com certeza sentir falta do caos e da incerteza dos nossos dias de mochileiros, daquela constante adrenalina correndo nas veias, da liberdade, do imprevisto, da surpresa, da felicidade em estar vivos! A realidade dói, mas é necessária , e eu tenho certeza absoluta que os nossos dias de mochileiros ainda não acabaram, porque viajar é um vicio benigno!

November 22nd, 2010 - Back home!

November 22nd, 2010 - Back home!

Want to pack your bags something small
take what you need & we disappear
without a trace, we'll be gone, gone
The moon & the stars follow the car
& then when we get to the ocean,
we're going to take a boat to the end of the world...
all the way to the end of the world…
you & me together we can do anything,
you & me together …
You & I we're not tied to the ground,
not falling but rising like, rolling around
eyes closed above the roof tops
eyes closed we're gonna spin through the stars
our arms wide as the sky, we gonna ride the blue
all the way to the end of the world,
to the end of the world…
We can always look back at what we did
always remembering you & me…
You know that you and me we could do anything!

Song by DMB

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De volta as raízes

sunny
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Demos adeus a Europa e partimos com destino a terrinha natal, o meu Brasil querido, que apesar de tantos problemas ainda é um dos melhores lugares do mundo e ocupa um lugar bem grande no meu coração, juntamente com toda a minha família e os meus amigos. O meu verdadeiro local de residência como muitos já sabem, é a Califórnia, onde já estou residindo a quase 6 anos, um lugar que eu aprendi a amar como se fosse a minha casa, também é onde estão os familiares do Jonathan, a minha família americana. Saudade (sa-u-da-de) - Recordação suave e melancólica de pessoa ausente, local ou coisa distante, que se deseja voltar a ver ou possuir. É isso que eu sinto todas as vezes que alguém especial está de aniversário e eu não posso abraçá-los, todos os casamentos de amigos ou familiares que eu não posso estar presente, todos os natais e feriados reunidos com a família na casa da minha nona, saudade é o que sinto. Mas o destino me fez ir pra longe por uma boa razão, então todo mundo que sente saudades minhas pode fazer uma reclamação direta com o responsável pela minha partida, só para dar uma dica de quem é essa pessoa, ele é um gringo, grandão, cheio de tatuagens, com espírito aventureiro, um senso de humor peculiar e um coração do tamanho do mundo pra caber todo o amor que eu tenho pra dar ele.

Flavia and some of her aunts and cousins

Flavia and some of her aunts and cousins

Na nossa chegada ao aeroporto de Curitiba, fomos recepcionados pelo meu tio Osni, o tio mais figura da família, sempre contente em poder agradar todo mundo, ele nos deu um abraço forte e no caminho a sua casa nos alertou sobre o cardápio do almoço, uma feijoada reforçada feita pela tia Delize, com direito a farofa, couve e laranja, esse foi o nosso almoço de “bem vindos ao Brasil”. A “pensão” da tia Delize é onde nos hospedamos sempre que chegamos de viagem, é onde nos sentimos em casa, um lugar aconchegante e com uma receptividade enorme, onde o Jonathan sempre pode degustar a infinidade de pimentas e cachaças selecionadas especialmente pelo tio Osni para a nossa chegada e eu posso colocar a fofoca em dia no sofá da sala com a tia Delize e a minha prima Jamile, enquanto assistimos a novela das oito. Durante a viagem, a minha tia acompanhou o nosso blog e sempre que podia fazia um comentário ou outro a respeito dos lugares que visitamos, ela até aprendeu a ler em Inglês, com uma certa dificuldade de compreensão e um pouco de desentendimento, mas o que valeu foi o esforço, não foi tia? O nosso tempo é sempre dividido entre a família e os amigos, mas nunca parece ser suficiente para agradar a todos, na sexta-feira passamos a noite na casa dos nossos amigos, a Carol e o Gregory, eles organizaram um churrasco com toda a galera dos tempos da faculdade (Fernanda, Bethania, Paloma e os maridos e namorados) e nós matamos as saudades dos velhos tempos, já se passaram vários anos desde a nossa formatura, mas nós continuamos as mesmas, foi muito bom dar umas risadas e relembrar das historias de faculdade. A Carol e o Gregory nos visitaram na Califórnia durante a lua-de-mel deles e desde então a nossa amizade ficou mais forte, pois desde que eu havia me mudado muitas coisas aconteceram nas nossas vidas e nos acabamos nos afastando um pouco, mas foi muito ter eles de volta e saber que eles dão valor a nossa amizade. Eu amo as minhas amigas e sinto muita falta delas quando estou longe, me da um aperto forte no coração quando eu não posso estar junto delas nas horas de alegria e tristeza.

Flavia and her friends from college

Flavia and her friends from college

No nosso terceiro dia aguardávamos ansiosos a chegada dos meus pais, que vieram de longe pra nos buscar, depois de beijos e abraços apertados, reunimos uma parte de família para jantar e depois fomos todos para a balada Curitibana, curtir um concurso de bandas, da qual o meu primo Felipe participava, o mais engraçado foi levar a família toda pra festa, regada a champagne e whisky com red Bull, até os tios curtiram, voltando pra casa de manha cedo. No Domingo partimos em direção a minha terra natal, Itapejara D’Oeste, com um total de 15.000 habitantes, onde o meu pai é o orgulhoso prefeito e nota-se que a cidade já sofreu varias mudanças nesse ultimo ano, com todo o esforço tanto do meu pai quanto da minha mãe, que parece ser muito popular com o povo Itapejarence. Passaremos duas semanas aqui, relaxando e colocando as coisas em dia, já que a nossa viagem já esta chegando ao fim. Agora eu já vou indo, pois ainda tenho muitas visitas a fazer e muitas estórias pra contar...

Flavia and her parents

Flavia and her parents

Posted by flaviaU 08:34 Archived in Brazil Comments (1)

Flamenco, touradas e tradição...

o verdadeiro sul da Espanha e o Adeus a Europa.

sunny
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O sul da Espanha é de verdade tudo o que eu imaginava que a Espanha deveria ser, trajes de flamenco em cada esquina, arenas para touradas em todas as cidades, bares de tapas servindo sangria, siestas de 3 horas ou mais durante a tarde e uma multidão de pessoas andando nas ruas até a madrugada. A cidade de Sevilla possui uma arquitetura lidíssima, a cidade histórica foi uma das maiores que nós já vimos na viagem, historicamente ela foi ocupada pelos Mouros, que lhes deram o nome de origem e a rica arquitetura Árabe, mais tarde foi retomada pelos cristãos, os judeus também fizeram parte de sua historia, mas com a inquisição foram expulsos da cidade, juntamente com a sua cultura e arquitetura que foram derrubadas e transformadas pela Igreja Católica. A música e a dança flamenca são muito vibrantes, as touradas acontecem com freqüência e os moradores parecem sempre orgulhosos em exercer essas tradições herdadas de seus antepassados.

Inside the Secrets Room in the Palacios Nazaries

Inside the Secrets Room in the Palacios Nazaries

De Sevilla cruzamos as montanhas da região da Andaluzia, passando por varias vilas, todas no topo das montanhas com casas dos mesmos estilos e cores, ou melhor, de uma cor só, branca, por isso são chamadas de “Pueblos Blancos”, sendo a mais impressionante Ronda, um povoado que foi construído na beira de um abismo, formado por cânions e pontes que ligam a cidade antiga a cidade velha. No final do dia chegamos ao nosso destino, a cidade de Granada, onde está localizado o palácio de Alhambra, uma das obras mais extraordinárias do continente Europeu, que lhes foi deixado pelos Mouros (povo árabe originado no deserto do Saara, que conquistou a região Ibérica no século VIII, que como principais habilidades, dominaram as técnicas de captar, elevar e distribuir a água) eles construíram o local no topo da montanha para servir como forte e moradia do sultão. O local é formado de vários palácios e jardins, todos extremamente decorados em estilo árabe, com milhares de manuscritos e desenhos, que durante os séculos passou por diversas modificações devido à mudança de conquistadores e a expulsão dos árabes. Apesar de tantas mudanças, ainda existem muitas partes originais que foram mantidas e restauradas e que fazem do local uma das obras mais bonitas que eu já visitei, apesar de ter visto muitos palácios e construções antigas na Europa, eu nunca havia visto algo tão impressionante. Até chegarmos no sul, havíamos visitado vários lugares na Espanha, mas nenhum desses lugares mostrou ter orgulho de ser Espanhol, desde Barcelona até o norte da Espanha, todas as regiões possuem um sentimento muito forte de separação, de não querer fazer parte do país como um todo, de não apoiar as decisões do governo e de sempre achar que eles são os verdadeiros trabalhadores e que o resto do país se aproveita do esforço e do dinheiro deles. Depois de conversarmos com varias pessoas, começamos a entender melhor a situação do país, apesar das generalizações, cada lado tem suas razões, se olharmos para trás e ver como a Espanha foi formada, cada região possuía reinados diferentes. O país sofreu muitas influências externas, o sul que pertenceu ao norte da África e a adotou a cultura muçulmana, no norte o País Basco possuía autonomia, seu próprio reinado e sua própria língua, existem 6 dialetos falados ou reconhecidos em todo o país e mais alguns que não são considerados oficiais, cada região possui muito orgulho da sua língua e tradição, como se fossem países diferentes. A história da Espanha é fascinante e a nossa visita foi uma experiência incrível.

Outside the Palacios Nazaries

Outside the Palacios Nazaries

De Granada seguimos em direção a Madrid, a nossa ultima parada na Europa, onde vamos devolver o nosso carro e seguir viagem para o Brasil, a última parada da nossa aventura pelo mundo. Tenho saudades do tempo que estávamos na Oceania e Ásia, viajar nesses lugares é fácil comparado com a Europa, pois tudo é mais barato, quando se esta cansado da cidade a praia fica sempre perto e o clima de verão é quase sempre mais agradável, exceto no calor de 45 graus e 90% de umidade na Ásia. Tenho que admitir que já estamos exaustos, o continente Europeu é muito grande, com muitas cidades interessantes, apesar de ter passado 4 meses na Europa não conseguimos ver tudo, mas posso dizer que vi o suficiente para mudar a minha opinião sobre o mundo, vi o suficiente para nunca esquecer do conhecimento que adquiri e as pessoas que conheci. Todos os lugares que passei foram um marco na historia, todo edifício foi uma obra de arte e todos os jantares foram uma aula de gastronomia, conhecer a Europa sempre foi um sonho e agora posso dizer que é realidade.

Posted by flaviaU 20:52 Archived in Spain Comments (0)

O litoral Português

sunny
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Já cansados de cidade grande e um pouco traumatizados com o aconteceu com o nosso carro em Lisboa, nos resolvemos ir em busca de sossego, ouvimos falar que o sul de Portugal, o Algarve, tinha praias lindíssimas e que não haveriam muitas pessoas, pois a temporada de verão já acabou, então alugamos um apartamento por cinco noites na cidade de Lagos.

O nosso apartamento estava localizado em uma praia um pouco distante do centro da cidade de Lagos, em uma área mais calma, com dezenas de condomínios, que estão sempre lotados no verão, o senhor João, um português muito simpático nos recepcionou e nos disse tudo que poderíamos fazer, todas as praias que poderíamos visitar e tudo mais que tinha direito. O apartamento tinha piscina, churrasqueira e uma cozinha, tudo que precisávamos pra relaxar, pagamos muito pouco, pois já não haviam muitos turistas no lugar e os apartamentos estavam saindo por menos da metade do preço. Fiquei muito impressionada pela beleza dessa região, nunca imaginei Portugal sendo tão bonito, quase todas as praias eram rodeadas por falésias, as rochas tinham diferentes cores e tamanhos e água é cristalina, muitas praias na costa leste são muito boas pra surf, as ondas são super grandes, teve até um campeonato de surf no norte, com os melhores surfistas do mundo, tendo como campeão o Kelly Slater, é claro! Conhecemos varias praias, Carrapateira, Sagres, praias mais desertas do Alentejo e as praias de Lagos até Faro, tomamos um solzinho pra recuperar o bronze, já que não pegávamos uma praia desde a Croácia e até fizemos um churrasquinho com picanha e tudo.

Dona Ana Beach

Dona Ana Beach

Deu pra relaxar bastante e retomar as energias pra reta final da nossa viagem pela Europa, vamos retornar a Espanha, onde visitaremos Sevilla, Granada e algumas cidadezinhas de Andaluzia e no final vamos a Madrid, onde retornamos o carro e pegamos o nosso vôo para o Brasil, não vejo a hora de rever a família e os meus amigos, comer a comidinha da mãe, da nona e das tias e não ter que me preocupar com nada por alguns dias.

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Posted by flaviaU 14:40 Archived in Portugal Comments (0)

Uma casa portuguesa, com certeza!

sunny
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O Português vai ao Rio de Janeiro. Os amigos o advertem que lá os motoristas de ônibus e taxi costumam voar com seus veículos. Chegando na Cidade Maravilhosa, Manuel pega um taxi: - Avenida Brasil, por favoire. - Que altura? - Se tu fores a mais de dois metros, eu pulo desse troço, oh raios!

Manuels, Joaquims, Marias ...esses são os Portugueses que nós brasileiros conhecemos, os que dão nome a maioria das piadas contadas no Brasil, mas os Portugueses vão muito alem desse estereotipo, por isso mesmo cá estou, em Portugal, para saber um pouco mais desse povo que nos ensinou a língua portuguesa e muitos dos costumes que ainda fazem parte da nossa vida.

Chegamos na cidade do Porto, perdidos entre as suas ruas estreitas e admirando suas Igrejas cobertas de azulejos e edifícios antigos amontoados do topo da cidade até as margens do Rio Douro, que brilhava refletindo os raios de sol do entardecer. O Douro esta no meio de duas áreas de muito contraste, de um lado a cidade de Porto com o seu ar mais boêmio, edifícios históricos e muita tradição, do outro, a cidade de Vila Nova de Gaia, com o glamour das varias adegas de vinho do Porto, calçadas limpas, modernas instalações turísticas e restaurantes de culinária internacional, são diferenças que mostram a verdadeira identidade das pessoas que vivem nestes lugares, o estilo de vida que elas levam. Portugal tem passado por uma crise econômica muito forte, que se percebe em muitas ruas e edifícios de Porto, o que costumava ser glamoroso agora já esta em ruínas, vários edifícios históricos estão abandonados, servindo de abrigo aos que não possuem um lugar para viver, e segundo um senhor Português que conhecemos em um restaurante no Porto, o numero de crimes nas cidades Portuguesas aumentaram muito nos últimos anos e ele acha que Portugal esta pior que o Brasil, um pouco exagerado, mas percebe-se que a situação não é das melhores. Mesmo com os problemas, Porto não deixa de ser uma cidade muito bonita, que carrega um passado riquíssimo, e a sua população ainda parece ser muito orgulhosa de ser “tripeira” (pessoa nascida no Porto) sempre falando de sua culinária, que tem como pratos típicos as tripas (bucho) ao modo do Porto, servidas com feijão branco e molho, a feijoada Portuguesa, que apesar de ser a original, é muito diferente da brasileira, pois é cozida com feijão carioca, couve e carne bovina ao invés de carne de porco, sem duvidas que a nossa é muito melhor, mas os Portugueses juram que é a deles. Também esqueci de mencionar que o sotaque Português é muito forte, até eu me confundo um pouco, o coitado do Jonathan parece que esta ouvindo Grego, mas aos poucos os nossos ouvidos já estão se acostumando com os sons de estaischh, vaischhh, poischhh...

Depois de 3 dias em Porto, dormindo em um dormitório misto de 4 camas, no meio de 3 meninos, eu já estava pronta pra ir a Lisboa, onde teríamos um quarto de casal, graças a Deus! Chegamos em Lisboa em um Domingo de sol e céu azul, a cidade tem um ar mais cosmopolita que Porto e mesmo sendo a maior cidade de Portugal, somente 600.00 pessoas vivem na cidade, porem a região metropolitana possui mais habitantes. O primeiro obstáculo é sempre encontrar um lugar para estacionar o carro, os estacionamentos custam 30 euros por dia e nós não podemos pagar tanto, então a outra opção é estacionar na rua, normalmente nos lugares mais distantes do centro, que é sempre um risco. Depois de organizar a nossa chegada, fomos explorar a cidade, as suas ruas de calçamento e escadarias que levam ao Castelo de São Jorge, com uma vista linda da cidade. As ruas de Lisboa me lembram muito dos bairros cariocas de Santa Teresa e da Lapa, exceto pela tranqüilidade que ainda existe em Lisboa e que não existe mais no Rio de Janeiro, claro que existem crimes aqui também, mas as pessoas vivem sem medo de sair na rua, os crimes não são a mão armada. Aos redores de Lisboa existem as cidades de Belém e de Sintra, Belém possui a famosa Torre de Belém, que foi construída na época dos descobrimentos pelo Rei João II para proteger a cidade, lá também na a Igreja Santa Maria Belém, onde estão enterrados Vasco da Gama e Luis de Camões. Sintra famosa pela sua arquitetura de estilo romântico e pelas luxuosas residências de veraneio dos reis de Portugal e também da elite Portuguesa.

No nosso terceiro dia em Lisboa eu resolvi mudar o visual e me dar um corte de cabelo de presente, enquanto eu estava no cabeleireiro o Jonathan descobria que um ladrão tinha quebrado o vidro do nosso carro, virado o carro do avesso procurando por coisas pra roubar, acabou levando um casaco, umas garrafas de vinho e uns presentes que estavam no porta malas do carro, nada de muito valor, apenas algumas coisas que eu havia comprado para amigos e família. Foi um susto danado, o Jonathan teve que lidar com os policias, falando em Português e achando graça porque eles todos tinham o nome de Manuel, quando eu voltei para o hostel, as meninas da recepção me esperavam pra contar as mas notícias e ao mesmo tempo elogiar o meu corte de cabelo. Dos males o melhor, ninguém se machucou, não roubaram os nosso passaportes ou maquina fotográfica e laptop, tínhamos seguro do carro e das coisas que foram roubadas. Depois de 9 meses de viagem, foi a primeira vez que isso aconteceu e tomara que seja a ultima, pois já estamos na reta final da nossa aventura.

Posted by flaviaU 15:14 Archived in Portugal Comments (1)

País Basco, La Rioja e Salamanca

rain
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Depois de uma noitada em Barcelona, jogamos as malas no carro ainda de ressaca e dirigimos para o norte da Espanha, primeira parada: Pamplona! Cidade famosa pelas festas de San Fermin que ocorre no mês de Julho, as corridas de touro, diferentes das touradas, pois nas corridas centenas de participantes correm pelas ruas estreitas da cidade fugindo dos touros enlouquecidos que correm atrás deles, esse festival é de muita tradição na Espanha, mas também de muita contradição pela certa crueldade feita com os animais. Passamos somente uma noite em Pamplona e no outro dia fomos para San Sebastian, na costa norte da Espanha, divisa com a Franca, San Sebastian esta localizada no centro do País Basco, a região basca tem uma cultura própria, a língua falada é o euskara que pode ser considerada uma a língua mais antiga que ainda é falada nos dias de hoje, pois ela surgiu ainda antes do latim. O País Basco também sustenta um movimento nacionalista, que como outras regiões da Espanha que também querem ser independentes do governo espanhol, entre os grupos separatistas o mais famoso é o ETA, que é considerado um grupo terrorista pelas suas ações violentas.

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Mas apesar da política atordoada, o país possui uma culinária riquíssima, com os famosos Pintxos, o Tx se pronuncia como o ch, nome dado aos pequenos pratos com petiscos dos mais variados sabores que são servidos em bares acompanhados de cerveja, vinho ou uma espécie de espumante chamado Txakoli, os pratos são servidos frios ou preparados quentes de acordo com o que você deseja comer, os quentes são os melhores e mais interessantes, principalmente se você estiver se sentindo corajosa para experimentar as especiarias locais. Como o tempo não colaborou muito durante a nossa estadia, não pudemos aproveitar a praia, popular com os surfistas pelas ondas grandes, mas quando não estava chovendo nos arriscamos sair da pousada e andar pela beira-mar, subimos no morro mais alto da cidade pra curtir a vista, muitos dizem que a Playa da Concha é uma miniatura do Rio de Janeiro, mas sem o glamour e o sol carioca. De noite saímos pra fazer a nossa atividade favorita, “pinchear” como dizem os bascos, ir de bar em bar provando as comidinhas e bebendo vinho espanhol, as ruas do centro histórico ficam lotadas de gente, super divertido. Já no terceiro dia consecutivo de chuva perdemos as esperanças de ver o sol e resolvemos seguir viagem, pelo norte da Espanha passamos pela região vinícola de La Rioja para matar a vontade do Jonathan de provar os vinhos e no final do dia depois de horas de viagem chegamos a Salamanca pra passar a noite, Salamanca era pra ser uma parada estratégica no caminho a Portugal, mas acabou nos surpreendendo pela beleza do seu centro histórico. Nessa viagem nós já vimos muitas cidades antigas, Igrejas, praças, monumentos e depois de tudo isso fica difícil nos surpreender com mais uma cidade histórica, mas Salamanca valeu à pena.

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Depois de alguns dias na Espanha resolvemos ir para Portugal, com planos de voltar para a Espanha e conhecer o sul do país no final da viagem, em Portugal vamos conhecer Porto, o vale do Douro, Lisboa e algumas partes do sul. Não vejo a hora de falar Português! Mesmo que seja com sotaque de português, ora, ora, pois, pois...

Posted by flaviaU 13:18 Archived in Spain Comments (0)

Hola Barcelona!

sunny
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Chegamos a Barcelona em um dia lindo de sol e um calor inesperado, eu já tinha perdido as esperanças de ir pra praia ainda nessa viagem, pois já estamos pertinho do inverno e já faz alguns meses que o clima esta mais frio. Nos alugamos um quarto em um apartamento no centro da cidade, o apartamento tinha seis quartos, uma sala de estar, jantar e cozinha, que no final acabou sendo quase que só nosso, pois raramente vimos os outros hospedes, então resolvemos cozinhar quase todos os dias pra economizar um dinheirinho, pois a viagem já esta quase acabando e o dim dim também. No primeiro dia fomos passear na famosa avenida “Las Ramblas”, que eu acho que é famosa mesmo pela quantidade de gente tentando roubar a sua carteira, no caminho encontramos o mercado publico “La Boqueria” que é um dos mercados mais lindos que eu já vi as frutas, os frutos do mar, as carnes, tudo exposto da melhor maneira possível. Sentamos pra almoçar em um dos bares que servem tapas, porções de comida servidas em tamanho de aperitivo, pra todo mundo poder provar um montão de comidas diferentes, tudo preparado na sua frente, muito bom! Depois compramos um montão de coisas pra cozinhar, ou seja, para o Jonathan cozinhar.

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Quando eu penso em Barcelona, eu penso em Gaudi, Picasso, Miro entre outros gênios da arquitetura e pintura modernista, você não precisa ser um arquiteto ou um expert em arte pra poder admirar esses artistas, andando nas ruas do bairro de Eixample é só olhar pra cima, cada prédio tem suas características diferentes, primeiro passamos pela Casa Batlló, construída por Antoni Gaudi, um dos prédios mais lindos que eu já vi, cheio de cores e contornos, cada pedaço tem algo diferente eu poderia passar horas ali admirando essa obra de arte, bem próximo estava a Casa Milla, também de Gaudi, não tão colorida como a outra, mas com vários detalhes em ferro e com um jardim de esculturas ao ar livre no topo, também próxima a maravilhosa Igreja da Sagrada Família, que apesar de estar sob eterna construção, é uma das construções mais fascinantes do mundo, as obras da Igreja nunca foram completadas, com a morte de Gaudi e a falta da planta original da Igreja é muito difícil saber como Gaudi gostaria que a Igreja fosse construída, em obras a muitos anos o restante da construção da Igreja só será encerrado em 2026, no aniversario de 100 anos da morte de Gaudi. Fascinada com a cidade, no segundo dia fomos conhecer o Park Guell, criado por Gaudi com a intenção de servir de uma área de lazer para a classe alta de Barcelona, o projeto não deu certo e a cidade resolveu tornar-lo um espaço publico, o problema são os milhares de turistas que visitam o lugar todo dia, foi praticamente impossível tirar fotos, uma decepção, mas tava muito calor naquele dia então resolvemos curtir a praia, fomos para Barceloneta, um dia perfeito pra praia e lá encontramos a Marion, uma alemã que conhecemos viajando na Austrália em Março, ela se mudou pra Barcelona uns anos atrás fugindo do frio da Alemanha e acabou ficando, passamos o dia contando estórias e relembrando o inicio da nossa viagem. Também visitamos o museu de Picasso, com todas as obras do começo da sua carreira e fomos para a cidade de Figueres a duas horas de carro de Barcelona especialmente para conhecer o Museu Teatro Dali, afinal só faltava o Salvador Dali pra completar a nossa lista de artistas modernistas espanhóis, que foi um dos lugares mais doidos que eu já vi, a arte de Dali te põe mesmo pra pensar.

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Mas antes de ir embora nós tínhamos que “salir de fiesta” em Barcelona, afinal essa é uma das cidades mais divertidas do mundo, com a Marion de guia, saímos jantar e depois pulamos de bar em bar, conhecemos uns italianos super divertidos que nos acompanharam ate o final da noite, perfeito, só pra fechar a nossa visita a Barcelona com chave de ouro. Apesar de não ter conhecido muitos catalães, devido ao fato da sua cultura ser um pouco fechada, eles não falam catalã que se originou do latim e se parece com português, espanhol, Frances e italiano ao mesmo tempo, eles é claro que entendem e se precisarem até falam espanhol, mas preferem preservar suas raízes e falar o catalão, concluindo, o nosso espanhol não nos deu muita oportunidade de conversar com os nativos. Mas apesar disso tive uma ótima impressão da cidade, conhecemos gente de vários lugares do mundo que adotaram Barcelona como sua terra, o que faz da cidade ainda mais interessante.

Posted by flaviaU 00:25 Archived in Spain Comments (0)

Sul da França

sunny
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Depois da nossa visita ao artista Francês, dirigimos por umas 8 horas até o Rhone, localizado mais para o sul da Franca, essa região é famosa pelos seus vinhos e suas montanhas, e meio que sem querer nós acabamos conhecendo as suas montanhas primeiro, o nosso GPS resolveu nos levar para um caminho mais alternativo, ou seja, no meio do nada! Nós enfrentamos alguns obstáculos, a estrada bloqueada por vacas e um tiozinho meio suspeito e barbudo parecido com o homem das cavernas que resolveu nos seguir, dirigimos até que as coordenadas do GPS nos levaram ao nosso destino final: uma ladeira coberta de arvores foi então que percebemos que havia algo errado e resolvemos parar o carro, por isso é que às vezes não da pra confiar nessa tecnologia de hoje, o bom e velho mapa fez uma falta danada. Mas sem mais problemas, finalmente encontramos um hotelzinho de beira de estrada e passamos a noite, pois já estávamos exaustos, no outro dia resolvemos conhecer os vinhos do Rhone e no final do dia seguimos para uma vila de estilo medieval para rever um amigo do Jonathan que ele havia conhecido em 2003 quando trabalhava na vinícola em Oakland.

O Remi é um enólogo Francês que adora rock & roll e a cultura americana, ele é casado com uma francesa chamada Marion, eles moram em um Château construído em 1750, com certeza a casa mais antiga que nós já dormimos, eles compraram esse Château em ruínas e reconstruíram ele praticamente sozinhos ao decorrer dos últimos anos, mas agora a Marion esta grávida de 5 meses e eles tiveram que dar uma parada na construção, um lugar impressionante! Depois de 3 dias de muito vinho e muita comida francesa infelizmente já era hora de partir, agora com destino ao sul da Franca, a Provença francesa, onde estão as mais belas paisagens e onde a vida não mudou muito desde os últimos séculos, as vilas de Provença são todas quase que no mesmo estilo, ruazinhas estreitas, prédios de diferentes cores e fachadas antigas, um ar muito boêmio e super romântico, estamos na época da colheita e as plantações de uva estão carregadas de cachos, as folhas estavam mudando de cor, mais para um tom avermelhado de outono, um cenário lindo e regado ao famoso vinho rose de Provance. Passamos 3 noites na casa da mãe de uma amiga do Jonathan, como vocês já perceberam o Jonathan sempre tem um amigo aqui ou lá, que tem a bondade de nos hospedar, graças a eles a nossa viagem tem sido mais econômica, o casal, ela francesa e ele americano, se aposentaram e compraram uma casa linda no sul da Franca com um montão de uvas e agora eles fazem vinho pra se divertir, nós desfrutamos da gentileza deles e relaxamos por uns dias. Fomos visitar o litoral Francês, ou como eles dizem o “Côte d'Azur” e aproveitamos pra visitar o principado de Mônaco, um lugar riquíssimo e super luxuoso, onde os milionários com as suas Ferraris apostam dinheiro no cassino de Monte Carlo, a melhor atividade para se fazer em Mônaco é sentar na frente do cassino e assistir a passarela dos velhos ricos acompanhados das suas esposas muito mais jovens, vestidos em roupas de grife. Para o Jonathan a melhor parte da nossa visita a Mônaco foi dirigir na pista de Formula 1 do GP de Mônaco, na curva da piscina, mesmo não sendo a bordo de uma Ferrari ou McLaren, ele realizou o sonho de todos os seres do sexo masculino.

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Do sul da Franca dirigimos até uma cidade de fronteira com a Espanha e passamos a noite lá, de manhã cedo seguimos em direção a Barcelona, já não vendo à hora de poder falar e entender o que as pessoas estão falando, nós amamos a França, mas o nosso Francês não nos ajudou muito, com certeza teremos boas lembranças do país, das pessoas e principalmente dos vinhos e da culinária francesa.

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Pé na estrada

semi-overcast
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Alugamos um carro, que será nosso pelos próximos 50 dias, e com ele visitaremos 3 países, começando pela Franca, depois a Espanha e por fim Portugal, vão ser muitas horas de viagem, mas com muito mais liberdade, sem ter que depender de trens e aviões. A nossa primeira parada depois de Paris foi no norte da França, mais precisamente na região da Normandia e da Bretanha, a Normandia historicamente famosa durante a Segunda Guerra Mundial, foi o lugar onde aconteceu a batalha de Dieppe em 1942, o ataque das forças aliadas (principalmente canadenses e britânicas) aos ocupantes alemães (nazistas), mais tarde, foi lugar da Batalha da Normandia, também conhecida como "o dia D”. Já a Bretanha é rodeada pelo Oceano Atlântico, conhecida internacionalmente pela qualidade dos seus frutos do mar, principalmente as ostras, as melhores que eu já provei, com gostinho de água salgada, bom falando em provar coisas com gosto de água salgada eu provei tudo que eu tinha direito, nunca imaginei, comi até escargot, de todos os tamanhos, mariscos, ostras, até umas outras coisas que eu nem sei o nome, afinal tem que se provar tudo pelo menos uma vez na vida... Uau! Quem diria que essas palavras sairiam da minha boca, vivendo e aprendendo!

A região da Bretanha tem muita influencia céltica, que ocuparam esse território durante a sua fuga dos saxões na Irlanda, ainda hoje a cultura dessa região relembra os celtas, na musica, arquitetura, culinária e no dialeto bretone que ainda é falado. A costa norte é cheia de cidadezinhas medievais, construídas dentro de muralhas, para a sua defesa durante batalhas, mas que ainda acabaram destruindo grande parte das cidades, a arquitetura reflete uma mistura de pré e pos batalha, mas ainda cheia de história. A culinária é maravilhosa, tanto nos restaurantes quanto nas feiras ao ar livre, os frutos do mar são abundantes, os queijos deliciosos, e a especialidade da região, os crepes, estão em toda a parte, doces e salgados, então nos também praticamos a nossa atividade favorita, comer, comer e comer... depois de alguns dias seguimos viagem para a parte leste do estado, muito diferente do norte, onde a construção parecia ser mais dos anos 70, nada muito bonito, um pouco abandonado pois já estamos fora da temporada, sem muito interesse nos resolvemos passar uma noite e continuar dirigindo até Bordeaux, a região vinícola mais famosa da Franca, onde se encontram os vinhos tintos mais caros do mundo, nas regiões do Medoc, St. Emilion e Sauternes. Passamos a primeira noite em uma cidadezinha fora de Bordeaux, onde encontramos duas brasileiras que estavam fazendo um estagio em uma das vinícolas, as duas estudam vinicultura em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, elas nos mostraram um pouco da vinícola onde trabalham e ficaram felizes da vida em falar um pouco de Português. No segundo dia resolvemos provar os tão prestigiados vinhos, os lugares mais famosos como o Chateau Margaux, o Mouton Rothschild e o Chateau Latour não aceitam visitantes, a não ser que você agende uma visita com meses de visitação ou você seja convidado para visitar-los, então como nós não somos muito importantes, resolvemos visitar as vinícolas menores e fomos recebidos muito bem, depois de 3 vinícolas nós resolvemos encerrar o dia e encontrar uma pousada pra passar a noite. Seguimos para St. Emilion no outro dia, e no caminho paramos pra dar carona a um menino que estava atrasado pra trabalhar em uma das cantinas da cidade, ele falava um Inglês super carregado com sotaque Frances e com uma ressaca tenebrosa, o Jonathan dirigiu o menino até a porta do trabalho e ele acabou nos convidando pra voltar mais tarde e provar os vinhos da cantina de graça, essas coisas são sempre boas para o nosso carma, as boas ações sempre acabam sendo recompensadas.

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A nossa próxima parada foi a região de Cognac, como diz o nome é onde se faz o famoso cognac, região que resolvemos conhecer após o convite de um artista que conhecemos na Áustria a uns meses atrás, o Sebastien estava hospedado no mesmo hostel que a gente em Viena, depois de uns 20 minutos de conversa ele nos deu um cartão e disse que iria esperar a nossa visita, sem saber o que pensar dele, nos resolvemos arriscar e visitar a vila onde ele morava. Pra te dar uma impressão só lugar, imaginem o lugar mais antigo que vocês já conheceram, imaginem esse lugar com mais de 160 anos de vida, pois então, essa é a vila que ele mora, com uma rua onde todas as casas têm mais de cem anos, no meio do nada, primeiro de tudo o nosso GPS não sabia pra onde ir, dirigimos em círculos por mais de uma hora, perguntando a todas as pessoas dos vilarejos mais próximos com o nosso Frances horrível, que não adiantou nada pois toda vez que eles explicavam onde era nós não entendíamos nada e a maioria das pessoas nunca tinham visto estrangeiros na vida e estavam morrendo de medo da gente, quando nos estávamos quase desistindo, por sorte encontramos a rua onde a casa dele estava localizada, perguntamos de casa em casa e finalmente encontramos o Sebastien. Ele é uma pessoa muito amigável, mas um pouco excêntrica, como todo o bom artista deve ser, na verdade eu não sabia o que esperar, mas ele nos recebeu com um sorriso enorme e nos tratou muito bem, a sua casa estava em ruínas datada de 1850 quando ele a comprou, depois de 5 anos construindo ela sozinho ele finalmente terminou, uma mistura da arquitetura original com o gosto excêntrico dele, certamente uma casa muito especial. Passamos o final de semana comendo, ele até nos levou almoçar na casa da avó dele, uma senhora muito simpática que nos acolheu como se fossemos seus próprios netos, uma experiência incrível. Na ultima noite o Sebastien fez uma apresentação de suas obras de arte, uma arte moderna, cheia de formas e efeitos, algo muito inesperado, mas muito interessante. Ele foi uma das pessoas que fez a nossa viagem interessante, o que prova que as vezes não é tão ruim confiar em estranhos.

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A nossa aventura continua, mas não por muito tempo, em exatamente dois meses estaremos de volta na Califórnia, tudo passou muito rápido e agora eu começo a sentir um friozinho na barriga de pensar em voltar, mas como em todo sonho, você sempre tem que acordar, a nossa hora esta chegando...

Posted by flaviaU 10:55 Archived in France Comments (0)

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