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Norte da Italia

Belluno, Veneza

sunny 91 °F
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Deixamos para trás as vinícolas e castelos da Toscana e seguimos para o verde e as montanhas do norte da Itália, a mudança da paisagem foi drástica assim que cruzamos para a região do Veneto, a caminho de Belluno entramos em um túnel e quando chegamos ao outro lado haviam montanhas enormes e lagos de água cristalina, imagens de cartão postal. As montanhas que nos vimos à distância são chamadas de Dolomites, são as montanhas mais altas da Itália, localizas na fronteira com a Áustria e de grande atração turística principalmente no inverno. Depois de sofrer com o calor intenso de Roma e da Toscana, nós estávamos à procura de ar fresco e tranqüilidade, mas para a nossa surpresa a temperatura estava mais alta que o normal e o norte também sofria com a onda de calor, por outro lado quase não haviam turistas na região, fazendo com que nos pudéssemos aproveitar alguns dias de sossego.

Entre as razões da nossa visita ao norte a mais importante foi a de conhecer as raízes da minha família, pois na região de Belluno, mais precisamente na cidade de Feltre foi onde a família Conte, a família da nona Carmelinda se originou e foi um privilégio poder conhecer o lugar onde tudo começou.Começamos a nossa visita em Belluno e nos hospedamos em uma casa de família fora da cidade, cercada pelas montanhas dos Dolomites, uma família muito simpática, uma casa de 3 andares e em cada andar morava uma geração da família, sendo que parte do andar térreo estava reservada para o uso dos hospedes, dois quartos um banheiro e uma sala de jantar, usamos o nosso melhor Italiano para nos comunicar com os avós, o filho falava algumas palavras em Inglês e a sua esposa era a única que falava e entendia Inglês quase que perfeitamente e estava sempre querendo praticar a língua com nós dois, mas era mais divertido tentar falar o nosso “Portunholiano”. De carro percorremos toda a região, parando em lagos com água claras de cor turquesa, vilas com estilo metade Germânico/Austríaco metade Italiano, onde a população falava Italiano e Alemão, pois na época de Mussolini .... As montanhas eram imensas e nos picos mais altos havia neve, contrastando com o verde das montanhas, um cenário esplêndido, quando não podíamos mais dirigir embarcamos em um teleférico que nos levou próximo ao topo de uma das montanhas e de lá nós caminhos para o topo e nos sentimos literalmente no topo do mundo. Na mesma noite a família que nos hospedou sugeriu que nós fossemos provar a especialidade da região: carne de cavalo. Pois é, o Jonathan topa qualquer coisa então nós fomos comer no melhor restaurante de cavalo da cidade, e o cardápio não poderia ser mais “cavalistico” (mais uma palavra inventada no meu dicionário) para começar o aperitivo foi um prato de frios, salame de cavalo, prosciutto de cavalo, presunto de cavalo e carne seca de cavalo, aprovado pelo Jonathan, mas eu sem coragem só comi a salada, o prato principal foi um file de cavalo com batatas, e de tanto que o Jonathan gostou eu ate experimentei e aprovei, a carne era de muita qualidade e não tinha nenhum gosto esquisito, segundo o Jonathan essa foi uma das refeições favoritas dele aqui na Itália e no final só faltou mesmo a sobremesa, talvez um mousse de cavalo? Acho que aí seria demais não é...
No dia seguinte seguimos para Feltre, cidade histórica onde as paredes de cada casa continham pinturas do século passado, janelas com venezianas e floreiras, mantendo o estilo de época e as ruas quase todas de pedra. Sem saber muito dos meus antepassados, resolvemos perguntar na biblioteca cívica, no museu cívico e no escritório de turismo, mas infelizmente ninguém tinha informação sobre as famílias que deixaram o país, o único lugar que poderia ter informação seria o cartório, que estava fechado, pois era sábado de manhã, então a nossa breve busca teve que ser abandonada. Mas pelo menos eu pude conhecer o lugar e voltar pra casa pra contar para a minha nona e mostrar pra ela as fotos de um lugar que provavelmente ira trazer lembranças.
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Já estava na hora de continuar a viagem, com destino a Veneza, a nossa ultima parada na Itália, no caminho passamos o final de semana na região vinícola do Veneto, onde o famoso Prosecco (espumante Italiano) é produzido, e assim passamos o nosso tempo, degustando os vinhos e a comida local e de barriga cheia seguimos para Veneza, sem muita expectativa, pois ultimamente tudo que se houve de Veneza é que esta cheia de turistas, que é suja e muito cara, mas para a nossa surpresa apesar da quantidade de visitantes, a cidade ainda conserva muito charme, afinal não existe nenhum lugar no mundo como Veneza. A cidade é formada por 117 ilhas, 150 canais e 400 pontes, o transito é composto de vaporettos (barcos de transporte público) e gôndolas e desse jeito é impossível não se perder, o segredo de Veneza está fora dos monumentos principais como a Piazza de San Marco e as várias Igrejas, essas áreas estão cheias de turistas e andar pelas ruas é quase que claustrofóbico, então se perder pelas ruas da cidade é a melhor atividade, quase todas sem saída, um labirinto de casas antigas, cada uma com a sua própria personalidade e melancolia, típicas de Veneza. De noite é quando a cidade revela a sua beleza, as ruas escuras são iluminadas somente pela luz da lua e ainda é possível encontrar um lugar calmo na beira de um canal, para se apreciar a paisagem acompanhada por uma garrafa de vinho ou encontrar um restaurante no final da rua com comida típica Veneziana, frutos do mar e uma variedade de risotos. Claro que tudo isso tem um preço, no caso de Veneza que é a cidade mais cara da Itália, os preços são sempre mais elevados, mas com muita pesquisa e dor no pé de tanto caminhar nós encontramos algumas exceções.

A nossa visita a Veneza também tinha outra razão, estávamos esperando uma encomenda dos Estados Unidos, contendo os nossos passes de trem para viajar no próximo mês, mas infelizmente a policia federal Italiana resolveu confiscar o nosso pacote por razão nenhuma e depois de varias viagens ao correio de Veneza e varias tentativas frustradas de comunicarmos com eles, nós resolvemos continuar a nossa viagem e seguir para a Croácia (país do leste Europeu), por uma semana e esperar pela boa vontade dos Italianos, tendo que voltar para Veneza e buscar o envelope, se é que de certo, senão a nossa viagem vai se tornar muito mais cara que o previsto. Os passes custaram muito e não podem ser reembolsados sem prova de que nós não utilizamos os mesmos na nossa viagem, mas sem obter os passes do correio nós não teremos prova alguma, ou seja, dinheiro jogado fora. Ainda temos esperanças de que o pacote vai aparecer no correio ate a semana que vem, cruzem os dedos!

Posted by flaviaU 07.25.2010 18:49 Archived in Italy

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